Venho desejar a todos um Ano Novo palmilhado de esperança e superação, certos de que o Divino Mestre é a âncora do nosso peregrinar missionário. Que a paz alcance todos os povos, especialmente aqueles brutalmente afetados pela arrogância, pela indiferença, pela cultura do descarte e pelas múltiplas guerras que ferem a humanidade.
Como é de vosso conhecimento, meu lema episcopal é: “Alarga o espaço da tua tenda” (Is 54,2). Essa convicção lançou-me numa experiência missionária jamais imaginada na simplicidade da minha consagração de vida: foram 14 anos de missão no coração da Amazônia.
Recordo, com emoção, minhas curiosidades do tempo de seminário, quando o Papa Paulo VI afirmava: “Cristo aponta para a Amazônia”, por ocasião do grande Encontro da Igreja na Amazônia, realizado em Santarém, em 1975. Aquela intuição profética, hoje percebo, preparava também o meu próprio caminho.
Agora, chegou o tempo de desarmar a tenda e partir para uma nova frente missionária. Recebi do Papa Leão XIV a minha transferência da Sede Episcopal de Guajará-Mirim (Regional Noroeste) para a nova Sede Episcopal de Campo Maior, no Piauí (Regional Nordeste IV). Como escrevi ao Santo Padre: “Tudo resulta em aprendizado, louvor e gratidão”. E, como bem nos ensinou nosso patrono São João Maria Vianney: “Uma pessoa instruída tem sempre dois guias que marcham à sua frente: o conselho e a obediência”.
Neste momento, testemunho com atenção e cuidado o impacto que a Diocese de Guajará-Mirim vivencia, pois, pela primeira vez, sua história diocesana passa por um período de vacância. Recordo com especial gratidão a delicadeza de dom Geraldo Verdier, sobretudo na transição de 2011, que favoreceu o início do meu encontro convosco, em 2012, durante a minha primeira Assembleia da Lettre d’Amazonie.
Dom Geraldo costumava falar da “família diocesana” e da “família Lettre d’Amazonie”. De fato, a amizade, o testemunho de irmandade, a comunhão e o espírito missionário de todos vocês deram sustentação e leveza aos 14 anos do meu serviço pastoral à frente da Diocese.
Juntamente com a comunidade francesa, por meio do legado da Lettre d’Amazonie, agradeço profundamente a missão dos bispos, padres, missionários e missionárias, profissionais, leigos e leigas, voluntários, benfeitores, simpatizantes e tantas pessoas de boa vontade. Sou grato pelo amor e dedicação expressos nos inúmeros serviços assumidos, pelo trabalho incansável da equipe e do conselho administrativo, bem como por aqueles que confiaram suas intenções de missa às nossas orações. Reconheço, com humildade, que tudo é obra e graça de Deus na missão que juntos abraçamos.
Diante dos questionamentos e perspectivas para os anos vindouros, especialmente quanto ao futuro da Lettre d’Amazonie, tenho plena convicção de que a missão continuará. Como sempre, guiada pela força do Espírito Santo e pelo ardor missionário de todos e todas. Vivamos este tempo em profunda comunhão e oração, para que o Senhor envie um pastor segundo o seu coração.
Obrigado por tudo. Fraternalmente,
+ Benedito Araújo
Diocese de Guajará-Mirim
Carta escrita para a revista francesa Lettre d’Amazonie.
