Um dia na cidade de Ars – França

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A caminho da cidade de Ars na França, o sentimento de alegria e curiosidade, alimentava a memória do cultivo da espiritualidade  do Padre João Maria Vianey – o Cura d`Ars.

Estava acompanhado das Irmãs de São Carlos de Lyon: Lucia Fiorotto,  Angele Coin, Isabel Gomes e Vicentina Pereira. Por sinal, foram as irmãs desta congregação, as responsáveis pela preparação catequética para a primeira comunhão de Vianey, o “humilde camponês que viria torna-se, para a sua paróquia, para o seu país e para o mundo: O Santo Cura d`Ars”. Quem diria que sua admiração pela pequenez da cidade de Ars, um dia se tornaria o santuário palpitante de todos os presbitérios do universo.

Ao longo de toda a minha formação, no seminário, nos retiros e encontros espirituais, o foco de reflexão sempre contemplava a vida diocesana, tendo como referência o testemunho deste grande padre.

Com a proclamação do Ano Sacerdotal, proclamado pelo papa Bento XVI por ocasião dos 150 anos do aniversário de morte de Vianey, tive a graça de conhecer melhor a espiritualidade deste Presbítero “segundo o coração de Deus”.

Particularmente, sempre me despertou curiosidades, pelo seu itinerário vocacional e pela firme fidelidade a Deus. Um homem que soube responder as exigências pedagógicas pastorais do seu tempo, a ponto de criar “a fama das festas – de – Deus” de Ars, que depois se estenderiam em toda região.

Cheguei ao santuário e diante da imagem do Cura d´Ars, tantas velas  queimavam, certamente na intenção dos padre de todo o mundo. Olhando em volta, os pensamentos do santo estampados na parede, convidavam para o recolhimento, entre eles, aquele que sempre me marcou desde a juventude: “o Espirito Santo é como um jardineiro que trabalha em nós”.

Antes do tour nos cantinhos de Ars, fui para a sacristia, a missa para eu presidir foi previamente agendada pela Superiora Geral das Irmãs de São Carlo, a Ir. Myriam Gagnère; por isso, devia celebrar no altar lateral, onde está o relicário do santo. O sacristão gentilmente me chamou dizendo: “o  senhor vai celebrar com o cálice do Pe. João Maria Vianey!”, maravilhado, peguei o cálice e caminhei rumo ao relicário do santo, passando pelo antigo confessionário, em um cantinho da Primeira Igreja, eu lembrava que “na França, no tempo do Santo Cura d´Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem  o significado e a beleza da penitência sacramental, apresentando-a como exigência íntima da Presença eucarística”.

Enquanto caminhava para o altar, colocava naquela patena as minhas intenções pelo nosso clero, nossas famílias, a missão, missionários e missionários da nossa diocese. Orei por todos! Foi um momento forte de memória do tempo que trabalhei no seminário, onde sempre partilhava  sobre a fascinante espiritualidade deste  presbítero como homem da fiel vivência da Palavra de Deus.

Durante todo o dia, ia fazendo minha peregrinação, e cada momento era um mergulho no tempo, mergulho na imensidão do amor de Deus, como ele fazia sempre questão de afirmar: “o bom Deus sabe tudo…”.

No final da jornada, fui a colina onde foi erguido o famoso monumento do encontro do Pe. João Maria Vianey com Antoine Givre, que mostrou o caminho rumo ao pequeno povoado de Ars.  Ali, no meio do campo, com  verdes relvas, e um silêncio misterioso, de qualquer ângulo é possível perceber o entreolhar-se cativante e sereno, e com o polegar que aponta para o infinito, perpassa a exclamação do Padre e à acolhida da fé: “tu me mostraste o caminho de Ars, eu te mostrarei o caminho dos céus”.

 

Dom Benedito Araújo

Diocese de Guajará Mirim – RO  

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