Homilia – Ordenação Presbiteral do Diác. Josiel Santos da Cunha 12 de abril de 2021, às 18hs30m – Colorado do Oeste

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Irmãos e Irmãs, familiares e amigos do Diác. Josiel, estimados Padres, Religiosas, Diáconos, autoridades, seminaristas, parentes do Josiel pertencentes às igrejas evangélicas e todo o povo de Deus que nos acompanham pela Rádio Educadora, Radio comunitária integração, You Tube  e demais recursos da mídia, “demos graças ao Senhor porque Ele é bom, eterno é o seu amor!”, “Ele ressuscitou verdadeiramente”, “nós somos testemunhas!”.

 

Nesta celebração de ordenação presbiteral do Diácono Josiel Santos da Cunha, penso que dois sentimentos perpassam as nossas vidas: A perplexidade e a esperança.

 

Perplexidade e esperança que devem ser alicerçadas numa firme resposta de amor e adesão ao seguimento do Mestre – Jesus de Nazaré, ressuscitado e Senhor da vida.

 

Perplexidade, porque num primeiro momento, considerando o empenho e a organização desta Paróquia para a ordenação presbiteral, pensávamos reunir e acolher tantos irmãos e irmãs de toda partes. Já Pensou esta festa na Igreja Matriz, naquela praça. De repente, tudo mudou e fomos impactados pela tragédia global da pandemia da covid-19, que acabou criando um vazio em tudo, vazio este que continua sendo o inquilino de nossas almas”. (Card. Tolentino Mendonça).

 

 

Perplexidade, porque estamos diante do esmorecimento do verdadeiro sentido de pertença (FT 30), como diz o Papa Francisco na carta “todos irmão” sobre a fraternidade e a amizade social, é preocupante percebermos que a historia dá sinais de regressão. Reacendeu-se conflitos que considerávamos superados, ressurgem nacionalismo fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos” (FT 11).

Estamos perplexos porque “… as tribulações, as incertezas, as perdas, as crises, as pandemias, os medos e a consciência dos próprios limites, que a pandemia despertou, fazem ressoar o apelo a repensar os nossos estilos de vida” (FT 33).

 

Mais é consolador e confortante, perceber a esperança que traspassa todos nós, saber que somos responsáveis pela fragilidade nossa e dos outros, alimentando a solidariedade nas formas variadas do cuidado com o próximo. (cf. FT.  115).

O serviço que se impõe é: «em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo». Nesta tarefa, cada um é capaz «de pôr de lado as suas exigências, expetativas, desejos de onipotência, á vista concreta dos mais frágeis (…). O serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até “padece” com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos ideias, mas pessoas».

E devemos sim, estar a serviço da vida, como apaixonados e apaixonadas por Jesus de Nazaré.

 

Querido Josiel, é neste contexto de perplexidade e esperança que nos reunimos para testemunhar tua resposta de amor ao seguimento do Mestre, testemunhar tua unção como presbítero a serviço do Reino, particularmente nesta Diocese de Guajará Mirim.

 

 

 

Creio que nos últimos anos da tua formação, nos retiros, na vida diária, tanto a perplexidade como a esperança, tornaram-se a marca deste tempo.

Afinal você é “ordenado padre e inicia o ministério no meio de tantas pandemias” (Pr. Aluízio Vidal).

Participar da missão do Cristo Mestre e Pastor, consagrando a Ele nossas vidas, é acima de tudo, tomar consciência de que o exercício ministerial no seio da Igreja é fruto da profunda escuta da Palavra e da Comunhão; como é citado no livro dos Atos dos Apóstolos: Eles “…davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E  eram estimado por todos.” Esse dinamismo, testemunho, impulso missionário só foi possível pela ação do Espirito Santo que os fazia anunciar a Palavra sem temor e com toda coragem.

O Evangelho que escolhestes para este dia, revela que a manifestação de Jesus aos discípulos junto ao mar de Tiberíades, acontece depois de uma noite de desanimo, pois, “naquela noite não pescaram nada” (Jo 21,3).

Na linguagem bíblica a “noite” é a ausência da luz que é Jesus, sem a presença de Jesus ressuscitado, não há ministério fecundo, não há evangelização comprometida em apagar as trevas da caminhada.

Depois daquela noite o encontro é marcado por tantas surpresas, euforias, interrogações e espantos:

“…eu vou pescar…nós também vamos…” (Jo 21,3);

“Moços tende alguma coisa para comer?” (Jo 21,5);

“Ninguém se atrevia perguntar: Quem és tu?” (Jo 21,12);

“Simão, filho de João, Tu me amas mais do que estes?” (Jo 21,15)

“Simão, filho de João, tu me amas?” (Jo 21,16)

“Senhor, Tu conheces tudo. Tu sabes que te amo!”(Jo 21, 17);

“…Siga-me” (Jo 21, 16

 

Para todos estes momentos a lógica de orientação pela Palavra da Sagrada Escritura é a mesma: apascentar e cuidar, “apascenta minhas ovelhas” (Jo 20,16).

 

Antes de confiar o “rebanho”, o serviço, a missão, Jesus não pergunta se Pedro é um homem letrado, se conhecia a doutrina, se era capaz de fazer isso ou aquilo. Mais Jesus deixa claro que é a entrega da vida por amor que deve ser a linha mestra de tudo em nossas vidas, particularmente neste dia em que você Josiel será  ungido para  o serviço em nome Dele.

 

A entrega da vida por amor é a trilha para ir ao encontro consigo mesmo, ir ao encontro de todos, para consolar, orientar, dignificar e libertar, assim como Ele – Jesus de Nazaré fez.

Que o Senhor nos confirme na sua graça para bem servi-Lo.

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