800 anos do presépio – reflexoes do papa Francisco

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NATAL DE GRECCIO: 800 anos da invenção do presépio

para aprofundar

O Poverello (São Francisco) recolhe-se em Greccio porque quer considerar o acontecer concreto da encarnação, ou seja, a simplicidade, a pobreza e a humildade do Filho de Deus “que com a suprema e inefável caridade se entregou a si mesmo por nós (cf. Tt 2,14)” (1Cel 87). Essa mesma dinâmica encontramos na contemplação da Eucaristia. Com efeito, Francisco convida-nos não somente a ver com os olhos corporais, mas também com os olhos do espírito a humildade e o modo concreto do amor divino, que se oferece na Eucaristia: “Eis que diariamente ele se humilha (cf. Fl 2,8), como quando veio do trono real (Sb 18,15) ao útero da Virgem; diariamente ele vem a nós em aparência humilde; diariamente ele desce do seio do Pai (cf. Jo 6,38; 1,18) sobre o altar nas mãos do sacerdote” (Admoestação I, 16-18).

Textos franciscanos para estudar

1Cel 84-87[1]


  1. 1
    Sua maior aspiração, seu mais vivo desejo e mais elevado propósito era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os “passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina”.

2 Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. 3 Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas.

4 Precisamos recordar com todo respeito e admiração o que fez no dia de Natal, no povoado de Greccio, três anos antes de sua gloriosa morte.

5 Havia nesse lugar um homem chamado João, de boa fama e vida ainda melhor, a quem São Francisco tinha especial amizade porque, sendo muito nobre e honrado em sua terra, desprezava a nobreza humana para seguir a nobreza de espírito. 6 Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costumava fazer, 7e disse: “Se você quiser que celebremos o Natal em Greccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que eu vou dizer. 8 Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e contemplar com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”. 9 Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou no lugar indicado o que o santo tinha pedido.


  1. 1
    E veio o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. 2 De muitos lugares foram chamados os irmãos. Homens e mulheres do lugar, coração em festa, prepararam como puderam tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. 3 Por fim, chegou o santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. 4 Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. 5 Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.

6 A noite ficou iluminada como o dia: era um encanto para os homens e para os animais. 7 O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. 8 O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. 9 Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava.

10 O santo estava diante do presépio a suspirar, cheio de piedade e de alegria. 11 A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote sentiu uma consolação jamais experimentada.


  1. 1
    O santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o santo Evangelho. 2 De fato, era “uma voz forte, doce, clara e sonora”, convidando a todos às alegrias eternas. 3 Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas doces como o mel sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém. 4 Muitas vezes, quando queria nomear Cristo Jesus, chamava-o também com muito amor de “menino de Belém”, e pronunciava a palavra “Belém” como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda com a doce afeição. 5 Também estalava a língua quando falava “menino de Belém” ou “Jesus”, saboreando a doçura dessas palavras.

6 Multiplicaram-se nesse lugar os favores do Todo-Poderoso, e um homem de virtude teve uma visão admirável. 7 Pareceu-lhe ver deitado no presépio um bebê sem vida, que despertou quando o santo chegou perto. 8 E essa visão veio muito a propósito, porque o menino Jesus estava de fato esquecido em muitos corações, nos quais, por sua graça e por intermédio de São Francisco, ele ressuscitou e deixou a marca de sua lembrança. 9 Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa.

  1. 1Guardaram a palha usada no presépio para que o Senhor curasse os animais, da mesma maneira que tinha multiplicado sua santa misericórdia. 2 De fato, muitos animais que padeciam das mais diversas doenças naquela região comeram daquela palha e ficaram curados. 3 Mais: mulheres com partos longos e difíceis tiveram um resultado feliz colocando sobre si mesmas um pouco desse feno. Da mesma sorte, muitos homens e mulheres conseguiram a cura das mais variadas doenças.

4 O presépio foi consagrado a um templo do Senhor e no próprio lugar da manjedoura construíram um altar em honra de nosso pai São Francisco e dedicaram uma igreja, para que, 5 onde os animais já tinham comido o feno, passassem os homens a se alimentar, para salvação do corpo e da alma, com a carne do cordeiro imaculado e incontaminado, Jesus Cristo nosso Senhor, 6 que se ofereceu por nós com todo o seu inefável amor e vive com o Pai e o Espírito Santo eternamente glorioso por todos os séculos dos séculos. Amém. Aleluia, Aleluia.

 

Admoestação I, 16-21

16 Eis que se humilha diariamente, como quando veio do trono real (Sb 18,15) ao útero da Virgem;

17 vem diariamente a nós ele mesmo aparecendo humilde;

18 des­ce todos os dias do seio do Pai (cfr. Jo 6,38; 1,18) sobre o altar nas mãos do sacerdote.

19 E como se mostrou aos santos após­tolos em carne verdadeira, assim também a nós agora no pão sagrado.

20 E como eles com a visão de sua carne só viam a carne dele, mas criam que era Deus contemplan­do com olhos espirituais;

21 assim também nós, vendo o pão e o vinho com os olhos corpo­rais, vejamos e creiamos firmemente que é seu santíssimo corpo e sangue vivo e verda­deiro.

[1] Fontes Franciscanas.

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